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Está em busca de um bom app de saúde mental? Saiba como escolher

Mônica Matsumoto

08/08/2020 04h00

Ulrike Mai/ Pixabay

Temos hoje uma infinidade de apps, gadgets e sensores que são tão flexíveis e convenientes que podemos levar a qualquer lugar. A área de saúde avançou muito com a mobilidade (mHealth). Surgiram diversos aplicativos de smartphone que prometem melhorar ou acompanhar sua saúde. 

No campo da saúde mental, existem apps para fazer terapia em teleconferência, para seguir seu humor e oferecer habilidades de lidar com elas, para aliviar o estresse, fazer meditação, entre outros. Um estudo do JAMA indicou que existem mais de dez mil apps no mercado.

Apesar de apps prometerem muitas coisas, é necessário uma boa dose de cautela. Quando você escolhe um aplicativo, tenha em mente duas bases principais: se o conteúdo tem fundamento científico e se entende para onde seus dados médicos irão. Muitos apps não seguem os guidelines da psiquiatria. 

Por exemplo, para um app de prevenção de suicídio a conduta é seguir seis diretrizes clínicas:

  1. Acompanhar os pensamentos suicidas e o humor;
  2. Desenvolver planos de segurança;
  3. Recomendar ações para impedir pensamentos suicidas;
  4. Ter fonte de informações e educação;
  5. Acesso a redes de apoio e;
  6. Acesso a aconselhamento de emergência.

Dos aplicativos avaliados no estudo da BMC Medicine, apenas 7% dos apps estudados seguiam as diretrizes. Essa é uma amostra de quantos apps seguem a ciência e a medicina baseada em evidência. A resposta clara é: apenas em poucos produtos.

Para ajudar nesse desafio, a divisão de psiquiatria digital do BIDMC desenvolveu algumas perguntas a serem feitas.

Na hora de baixar um app para acompanhar seu humor, procure saber:

  • Quem desenvolveu o app?
  • Existe política de privacidade?
  • Que medidas de segurança estão em vigência?
  • Que tipo de dados do usuário o aplicativo coleta e esses dados são compartilhados?
  • Quais informações o aplicativo recebe e o que é retornado ao usuário?
  • O aplicativo é baseado em evidências?
  • Faz o que afirma fazer?

Os pesquisadores desenvolveram uma série de perguntas que dão um panorama "diagnóstico" do app.

Lá no site, já existem vários apps analisados.

Os cientistas esperam que com a conscientização possa haver um repositório digital com a informação atualizada de cada app, como uma curadoria de quais são mais interessantes. E a decisão de uso é sempre do paciente, mas uma decisão muito melhor tomada quando há informação.

A questão levantada da privacidade também é importante.

Nos Estados Unidos, o governo lavou as mãos quanto ao que se faz com os dados médicos individuais. Quando dentro de hospitais e sistemas de saúde, os dados estão protegidos por uma política de privacidade, ética e transferência de dados chamada de HIPAA. Agora, é permitido ao paciente baixar ou dar acesso aos apps a todos seus dados médicos. Todo o histórico, consultas, exames… Pasmem!

Uma vez fora dos arquivos de um hospital, esses dados podem ser repassados ou vendidos a terceiros. O ponto central é que o usuário do aplicativo não está alerta que na verdade está perdendo sua privacidade, e que estará exposto a abusos. Por outro lado, existe uma nova tendência em que o próprio paciente pode monetizar seus dados médicos.

Sabemos que ansiedade, depressão e estresse são alguns dos distúrbios mentais mais comuns. Em algum momento da vida, até 30% da população mundial lidará com algum transtorno mental. E, além disso, existem eventos estressores que as pessoas passam durante a vida que o apoio e promoção da saúde mental são importantíssimos.

De fato, o que os apps oferecem podem melhorar a saúde mental dos pacientes. Entretanto, temos que ficar espertos quanto a muitos aspectos desses apps.

Olhar para a eficácia do que é prometido é um ponto importante, e para isso o app tem que estar associado a estudos científicos. Outro aspecto fundamental é garantir seu direito a privacidade, existem muitas questões a serem respondidas para decidir conscientemente antes de usar um app de saúde mental.

Nesse post demos algumas ferramentas a você. Fique atento, não deixe de exercer seus direitos e senso crítico!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre os autores

Daniel Schultz é cientista, professor de microbiologia e membro do núcleo de ciências computacionais em Dartmouth (EUA). Estuda a dinâmica dos processos celulares, com foco na evolução de bactérias resistentes a antibióticos. É formado em engenharia pelo ITA, doutor em química pela Universidade da Califórnia San Diego e pós-doutorado em biologia sistêmica em Harvard. Possui trabalhos de alto impacto publicados em várias áreas, da física teórica à biologia experimental, e busca integrar essas várias áreas do conhecimento para desvendar os detalhes de como funciona a vida ao nível microscópico.

Monica Matsumoto é cientista e professora de Engenharia Biomédica no ITA. Curiosa, ela tem interesse em áreas multidisciplinares e procura conectar pesquisadores em diferentes campos do conhecimento. Monica é formada em engenharia pelo ITA e doutora em ciências pela USP, e trabalhou em diferentes instituições como InCor/HCFMUSP, UPenn e EyeNetra.

Shridhar Jayanthi é Agente de Patentes com registro no escritório de patentes norte-americano (USPTO) e tem doutorado em Engenharia Elétrica pela Universidade de Michigan (EUA) e diploma de Engenheiro de Computação pelo ITA. Atualmente, ele trabalha com empresas de alta tecnologia para facilitar obtenção de patentes e, nas (poucas) horas vagas, é um estudante de problemas na intersecção entre direito, tecnologia e sociedade. Antes disso, Shridhar teve uma vida acadêmica com passagens pela Rice, MIT, Michigan, Pennsylvania e no InCor/USP, e trabalhou com pesquisa em áreas diversas da matemática, computação e biologia sintética.

Sobre o blog

Novidades da ciência e tecnologia, trazidas por brasileiros espalhados pelo mundo fazendo pesquisa de ponta. Um espaço para discussões sobre os rumos que as novas descobertas e inovações tecnológicas podem trazer para a sociedade.