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Para onde o mundo vai

Para onde o mundo vai

Indústrias logo trocarão inspetores humanos por drones e análise de imagens

Mônica Matsumoto

2025-10-20T18:10:33

25/10/2018 10h33

Na esperança de resolver grandes problemas ou ganhar novos nichos de mercado, a inteligência artificial (IA) tem sido "O" grande vetor tecnológico. Sensores de imagem como câmeras e satélites são grandes aliados nesse mercado.

Um nicho em desenvolvimento para grandes indústrias é a invenção de ferramentas de inspeção por imagens. Estas são capturadas por drones, smartphones ou até mesmo satélites. Lidar com esses desafios é importante para diminuir os riscos na indústria e focar onde os profissionais despendem seu tempo de trabalho.

Não existe hoje uma forma eficiente de fazer esse tipo de inspeção manualmente, assim a proposta com drones e imagens preenche um espaço no mercado ainda pouco explorado. A prevenção de riscos e manutenção mais automatizada trazem o valor desta proposta.

Fonte da imagem: Sky-futures. Drone para inspeção de pás eólicas.

Um exemplo é o uso de drones com câmeras para a inspeção de pás eólicas. O investimento em uma turbina eólica é da ordem de milhões de reais e uma manutenção bem feita pode garantir longevidade a esse investimento. Existem diversos danos como fraturas na estrutura mecânica, rachaduras térmicas e danos de perfil da pá que podem impactar na eficiência do gerador e encurtar a vida do gerador.

Em vez de pendurar um técnico nas pás para caçar esse tipo de defeito, esses danos podem ser monitorados por imagens de drones no lugar de inspeção visual, e de forma automática. Esse tipo  de monitoramento pode também ser subaquático ou em tubulações de óleo, com drones que nadam para capturar imagens onde um técnico nem poderia entrar.

Nesse ponto, novas start ups (como Airfusion e grandes empresas como a Avitas da GE estão desenvolvendo plataformas que lidam de ponta a ponta com essa inspeção: da coleta até a análise de dados. Veja no vídeo as dimensões de uma pá eólica e imagine a quantidade de imagens captadas pelo drone para inspecionar toda a superfície.

As imagens ainda são tratadas tridimensionalmente, para depois passar pela IA que detecta as falhas e pontos de atenção. Parte do serviço também é processar esses dados na nuvem e lidar com esse enorme banco de dados. Do lado do consumidor, é necessária uma plataforma amigável que dê acesso às imagens, e também a relatórios descritivos e conclusivos.

Existem outros campos sendo desbravados, como a construção civil. Com o uso da câmera, o gerente da obra pode avaliar as imagens e usá-las como documentação do andamento da obra. Além disso, pode monitorar as normas de segurança dentro da obra, como por exemplo, se os funcionários estão usando capacete ou não. Evitar acidentes seria um grande ganho para esse tipo de tecnologia. A start up Smartvid.io em Boston é uma das empresas que desenvolve essa inteligência específica.

Em vez da inspeção quase microscópica para manutenção, algumas empresas estão explorando as imagens de satélite, que são imagens em escala macroscópica da Terra. Os satélites não são novidade, mas o uso intensivo e quase online das imagens introduziu esse tipo de análise para novos mercados. 

Start ups como a Orbital Insight e FeatureX (recentemente adquirida pela primeira) empregam a visão computacional para, por exemplo, analisar a quantidade de carros nos estacionamentos de shopping centers americanos. Essa análise permite, por exemplo, investigar em tempo real a atividade de compras e medir o aquecimento de mercado em todos os Estados Unidos.

Outro possível produto da IA é a usar esse tipo de imagem para avaliação do volume de petróleo no mundo, e oferecer aos investidores uma informação antecipada desta fonte de energia básica para a indústria. Com a imagem do tanque, a inteligência do software consegue quantificar o volume de petróleo armazenado. Isso é possível, uma vez que o teto do tanque é flutuante e o cilindro do tanque produz uma sombra sobre o teto. Dessa forma engenhosa, é possível mensurar o estoque e fluxo de petróleo armazenado. Veja a imagem abaixo.

Fonte da imagem: Orbital Insight. Mapeamento de tanques de gás por satélite.

Esse é mais um exemplo da grande volta da inteligência artificial. Ela está aí para mudar como lidamos com dados e informações. Olhar milhões de dados em busca de falhas ou evidências é hoje um desafio alcançável pela IA.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre os autores

Daniel Schultz é cientista, professor de microbiologia e membro do núcleo de ciências computacionais em Dartmouth (EUA). Estuda a dinâmica dos processos celulares, com foco na evolução de bactérias resistentes a antibióticos. É formado em engenharia pelo ITA, doutor em química pela Universidade da Califórnia San Diego e pós-doutorado em biologia sistêmica em Harvard. Possui trabalhos de alto impacto publicados em várias áreas, da física teórica à biologia experimental, e busca integrar essas várias áreas do conhecimento para desvendar os detalhes de como funciona a vida ao nível microscópico.

Monica Matsumoto é cientista e professora de Engenharia Biomédica no ITA. Curiosa, ela tem interesse em áreas multidisciplinares e procura conectar pesquisadores em diferentes campos do conhecimento. Monica é formada em engenharia pelo ITA e doutora em ciências pela USP, e trabalhou em diferentes instituições como InCor/HCFMUSP, UPenn e EyeNetra.

Shridhar Jayanthi é Agente de Patentes com registro no escritório de patentes norte-americano (USPTO) e tem doutorado em Engenharia Elétrica pela Universidade de Michigan (EUA) e diploma de Engenheiro de Computação pelo ITA. Atualmente, ele trabalha com empresas de alta tecnologia para facilitar obtenção de patentes e, nas (poucas) horas vagas, é um estudante de problemas na intersecção entre direito, tecnologia e sociedade. Antes disso, Shridhar teve uma vida acadêmica com passagens pela Rice, MIT, Michigan, Pennsylvania e no InCor/USP, e trabalhou com pesquisa em áreas diversas da matemática, computação e biologia sintética.

Sobre o blog

Novidades da ciência e tecnologia, trazidas por brasileiros espalhados pelo mundo fazendo pesquisa de ponta. Um espaço para discussões sobre os rumos que as novas descobertas e inovações tecnológicas podem trazer para a sociedade.